• Lu

Escola Inkiri - Um novo modelo de educação

Durante o tempo que estivemos em Piracanga, Liz frequentou a Escola Inkiri junto com as crianças da comunidade. A escola atende crianças a partir de 1 ano, mas entendemos que para Danilo (que estava com 2 anos recém-completados) seria pouco tempo para fazer uma boa integração e logo ter que sair, então ele não foi.


A Escola Inkiri foi reconhecida em 2015 pelo MEC como uma das “178 organizações inovadoras e criativas do Brasil”, usando o conceito de Escola Livre e constantemente transformando seus conceitos pedagógicos. E o que essa escola tem de tão diferente e especial?


Portão de entrada da escola

Aqui conto sob a perspectiva de visitante, baseada em nossa experiência lá e no que nos foi contado nas integrações. Certamente não conseguirei dar a perspectiva completa que a escola merece, mas para mais informações eles tem visitas guiadas e imersões para professores e alunos que queiram saber mais (link para infos oficiais: https://piracanga.com/projetos/escola-inkiri/).


Como falei, a escola surgiu com o conceito de Escola Livre, na qual as próprias crianças escolhem suas atividades e conteúdos que gostariam de explorar ao longo do seu caminho escolar. Com o passar dos anos, eles perceberam que esse conceito fazia muito sentido para as crianças pequenas, mas que para as maiores e pré-adolescentes/adolescentes faltava uma linha ou organização mais formal do conhecimento.


Assim, eles foram atrás de pessoas que pudessem ajudar nesse novo modelo, e assim foram auxiliados pelo José Pacheco (sim, o fundador da Escola da Ponte, de Portugal!) e pela Fundação Pestalozzi do Equador. Pra quem não conhece essas iniciativas, recomendo dar um Google já, porque são iniciativas incríveis e premiadas na área de educação.


Se transformaram então em uma instituição com pedagogia orgânica, em constante transformação, mas que visa desenvolver em conjunto as 4 dimensões do ser: espiritual, físico, mental e emocional. Bacana, né? Tá, mas como funciona isso na prática?



A escola funciona de terça a sábado, de manhã e a tarde (por conta da comunidade ficar afastada do centro, deixam a 2afeira como dia livre para que os educadores e alunos possam resolver coisas “na cidade”, se necessário). A parte da manhã (8h30-12h30) é reservada para as atividades pedagógicas, e a parte da tarde (14h30-16h30) é para oficinas e tem participação opcional, como atividades extra-curriculares. As crianças almoçam na escola, os pais buscam logo após o almoço e levam depois nas oficinas, caso elas queiram participar.


A rotina se inicia com o minuto de silêncio (como a maioria das atividades em Piracanga), e a manhã segue com atividades divididas entre: momentos de livre brincar, atividades plásticas (desenho, tinta, argilas), atividades lúdicas, fitoterapia (fala da Liz: “Eles tem um cantinho de poções de verdade!!!”), rodas de leitura, etc. As crianças escolhem que atividades irão fazer no dia e como irão se organizar.


Cantinho das Poções (Fitoterapia)

As divisão das crianças não segue literalmente a idade, como na maioria da escolas. Elas se dividem em “ciclos”: Liz estava no Ciclo 2, e tinha com ela crianças entre 4 e 6 anos. Ao ver que uma criança já está buscando atividades de um novo ciclo, ela pode já ser encaminhada para o seguinte. O Ciclo 2, por exemplo, não tem a intenção de alfabetizar as crianças, e aquelas que começam a despertar maior interesse por ler e escrever, podem iniciar a transição para o ciclo seguinte. O processo é bem individualizado e respeitando o desenvolvimento e tempo de cada criança.


No meio da manhã, param para o lanche. No 1o dia que estive lá, fiquei bem impressionada com a autonomia e responsabilidade das crianças ao comer. O lanche é colocado sobre a mesa, e elas mesmas se servem, cortam as frutas (mesmo as mais pequenas manuseiam facas muito bem, por exemplo), e depois elas mesmas lavam, secam e guardam tudo o que usaram, como é comum em toda a comunidade (mesmo no restaurante, você mesmo irá lavar seu prato e tudo o que usou, baseado no conceito de auto-responsabilidade).


A estrutura física da escola é maravilhosa, as “salas” não tem portas fechadas, todas são abertas para que as crianças possam circular livremente pelo espaço. Esqueçam mesas e cadeiras, elas existem para que se possa fazer algumas atividades específicas, mas nada de passar 4 horas sentado no mesmo lugar (modelo que eu fui educada – e provavelmente você também).



As crianças aprendem por “projetos”, cada ciclo escolhe um tema de interesse para desenvolver ao longo do semestre/ano. Por exemplo: enquanto estivemos lá, um dos ciclos tinha escolhido desenvolver o projeto “Cavalos”, e daí estuda-se várias abordagens em relação a esse tema, envolvendo as diversas matérias (biologia, matemática, português). Assim, parte-se do interesse das crianças para desenvolver os conteúdos, o que para mim faz muito mais sentido. Pense nos conceitos que você melhor assimilou ao longo da sua trajetória escolar: provavelmente eles tinham ligação com algo que você gostava muito ou algo que você vivenciou na prática. O resto, você esqueceu, certo?

O papel do educador é visto muito mais como um mediador do conhecimento e menos como detentor. Reconhece e desenvolve o potencial individual das crianças, despertando o interesse e ajudando a organizar a trilha de desenvolvimento de cada grupo. Acredito que seja um papel muito mais estimulante para quem é professor do que o modelo tradicional, pois nesse novo modelo cada turma trará interesses novos, e o modo de ensinar fica diferente e desafiador de ano para ano.


E as provas? Não tem. Cada criança é avaliada individualmente tanto por ela própria, quanto pelo educador. Mas nada de conceitos ou notas, a avaliação é geral e envolve as 4 dimensões. Mas e quando alguém precisa fazer alguma prova, como por exemplo o ENEM? Se for da escolha da criança, abre-se um projeto para que ela possa desenvolver essas competências (e as demais crianças podem se junta a ela, se quiserem). Foi o exemplo de uma criança que iria iniciar os estudos de ensino médio na França, e tinha que prestar provas de proficiência.


E o que a Liz mais gostou? Olhem abaixo essa parte da tarde maravilhosa, onde acontecem as oficinas! São duas por tarde, a Liz como dormia após o almoço, acabava indo somente na segunda por conta do horário e foi o que mais gostou: “Na minha escola da Bahia tinha aula de surf!”

Em São Paulo, as crianças frequentavam uma escola construtivista (que amamos! <3), onde a maior parte desses conceitos que contei no post são utilizados também. Então para nós e para as crianças a integração ao modelo foi fácil. O diferencial é que a Escola Inkiri tem o contato imersivo com a natureza, que ao meu ver faz uma diferença positiva grande! Afinal, em que outra escola o último dia de aulas é celebrado com esse banho de rio maravilhoso?



525 visualizações

@ 2018-2019 Mochilão com Mochilinhas

  • b-facebook
  • Instagram Black Round
This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now